gariimpo


Quando a mídia transforma seriedade em ridículo
Outubro 22, 2008, 6:28 pm
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Brasil comovido com a morte da menina Eloá. Matérias em jornais e sites internacionais mostram o país em seu ‘melhor’ ângulo. Santo André tem o trânsito parado com velório e enterro da garota. Irmão dá entrevista no local do crime em programas sensacionalistas apenas um dia após a morte de Eloá. Pessoas tiram fotos da menina no caixão. Faixas, palmas, música preferida cantada pelos conhecidos. Desconhecidos dão declarações aos jornais afirmando que “mesmo sem conhecê-la, queria dar um último adeus”. Nayara, a amiga que voltou ao cativeiro, pede a visita de Alexandre Pato, jogador do Milan. Pai de Eloá é procurado pela polícia de Alagoas. ‘Justiça’ seja feita: Advogado de Nayara quer indenização de R$ 2 milhões do estado.

Deitados sobre a ‘fama momentânea’ de Eloá, todos querem um lugar ao Sol. Seja colocando no Orkut fotos do corpo da menina no caixão, seja fazendo pedidos absurdos.

Veja bem, por um momento cheguei até a me comover com toda essa estória. Eu, que não sou nem religiosa, acendi uma vela pela menina. Pensava constantemente sobre o assunto e até durmi mal por ficar pensando quantos Lindembergues poderiam vir atrás de mim. Ontem, depois de ver que Nayara pediu a visita de Pato, desisti.

O que leva uma garota de 15 anos, cuja amiga acabou de falecer da forma mais trágica possível, fazer um pedido desses? O que levam os pais da garota a pedir R$ 2 milhões de indenização? Os interesses, óbvio. Oportunidade como a deles de ‘arrancar uma graninha’ daqueles que mais ‘arrancam uma graninha’ de todos nós não aparece todos os dias. Oportunidade como a dela de dar uma de coitadinha, conhecer o ‘ídolo do momento’ e ainda ter a chance de aparecer em mais revistas semanais é rara.

Mais uma vez a mídia tornou um fato que talvez até seja corriqueiro em algo único, extraordinário. No início do ano, meses após a morte de Isabella Nardoni, crianças supostamente mortas pelos pais apareceram aos montes em programas da tarde, que tentavam esquentar o mesmo fato pela milésima vez. De sábado para cá, pude ler sobre dois ‘companheiros’. Um matou a namorada em Sorocaba, outro seqüestrou a mulher por seis horas em Itapecerica da Serra.

No fim, ninguém consegue exatamente o que quer.



Estupra mas não mata
Setembro 24, 2008, 7:07 pm
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Daí a gente abre o e-mail e recebe da colega de trabalho algo assim. A professora da faculdade conta que o tal do Enéas Filho não é filho do Enéas-Pai. Tamy Gretchen não vai à Itamaracá apoiar a candidatura da mãe para prefeita da cidade e diz que tem um Audi no valor de 20 mil. Túlio Maravilha afirma que seu saldo em conta é de um real. Os ex-BBBs que não conseguiram aparecer no programa da Luciana Gimenez resolveram se candidatar pra vereador. Kid Bengala e Rita Cadilac encaixam suas ocupações em “outros”. Sérgio Mallandro promete que quando cobrarem suas promessas, ele vai dizer: Pegadinha do Mallaaaaaaaaandro!

Pois é, galhera, depois diz que o Jabor escreveu algo mais ou menos assim:

- Brasileiro é um povo solidário.
Mentira. Brasileiro é babaca.
Eleger para o cargo mais importante do Estado um sujeito que não tem escolaridade e preparo nem para ser gari, só porque tem uma história de vida sofrida; pagar 40% de sua renda em tributos e ainda dar esmola para pobre na rua ao invés de cobrar do governo uma solução para pobreza; aceitar que ONG’s de direitos humanos fiquem dando pitaco na forma como tratamos nossa criminalidade; não protestar cada vez que o governo compra colchões para presidiários que queimaram os deles de propósito, não é coisa de gente solidária.
É coisa de gente otária.

- Brasileiro é um povo trabalhador.

Brasileiro é vagabundo por excelência.
O brasileiro tenta se enganar, fingindo que os políticos que ocupam cargos públicos no país surgiram de Marte e pousaram em seus cargos, quando na verdade, são oriundos do povo. Ao mesmo tempo em que fica indignado ao ver um deputado receber 20 mil por mês para trabalhar 3 dias e coçar o saco o resto da semana, também sente inveja e sabe lá no fundo que se estivesse no lugar dele faria o mesmo.
Um povo que se conforma em receber uma esmola do governo de 90 reais mensais para não fazer nada e não aproveita isso para alavancar sua vida não pode ser adjetivado de outra coisa que não de vagabundo.

- Brasileiro é um povo honesto.

Não é.
O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado com o mensalão, pensa intimamente o que faria se arrumasse uma boquinha dessas.

- 90% de quem vive na favela é gente honesta e trabalhadora.

Historicamente, as favelas se iniciaram nos morros cariocas quando os negros e mulatos retornando da Guerra do Paraguai ali se instalaram.
Naquela época quem morava lá era gente honesta.
Hoje a realidade é diferente.
Muito pai de família sonha que o filho seja aceito como ‘aviãozinho’ do tráfico para ganhar uma grana legal [...]

- O Brasil é um pais democrático.

Mentira.
Num país democrático a vontade da maioria é Lei.
Num país onde todos têm direitos mas ninguém tem obrigações, não existe democracia.
Num país onde tributos têm como único fim o pagamento dos privilégios do poder e ainda somos obrigados a votar democracia é luxo.

O famoso jeitinho brasileiro.
Faz um ‘gato’ puxando a TV a cabo do vizinho e acha que está botando pra quebrar. Malandrões, esquecem que pagam a maior taxa de juros do planeta e o retorno é zero. Zero saúde, zero emprego, zero educação.

O que me deixa mais triste e inconformado é ver todos os dias nos jornais a manchete a pseudo-vitória do governo mais sujo já visto em toda a história brasileira.

O brasileiro merece! Como diz o ditado popular, é igual mulher de malandro, gosta de apanhar.



Cada um no seu quadrado
Setembro 4, 2008, 7:24 pm
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“Eu defendo o fumo em qualquer lugar”, diz Lula, sobre permitir o fumo apenas na rua, ou em casa. Sobre um decreto que proíba o fumo no Planalto, completa: “Menos na minha sala. Eu, se for na sua sala, certamente não fumarei porque respeito o dono da sala. Mas, na minha, sou eu que mando”. Se Lula manda em sua sala, em sua vida e no país, o cidadão também deve escolher o melhor para sí.

Os problemas que o cigarro causa todos conhecem. Só começa a fumar quem quer. Só pára também. Sabe “>a camiseta da Banca que diz: “você pra mim é problema seu” ? O cigarro também.



I’m not a plastic HEAD – A Saga
Maio 16, 2008, 4:12 pm
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Sou do tipo que critíca o mundo noventa por cento do tempo, mas hoje sou obrigada a elogiar e o faço muito feliz. No post do dia trinta e um de janeiro, critiquei o preço de sacolas de supermercado retornáveis, e hoje fiquei muito feliz quando ví no Wall Mart essas sacolas à venda. De primeira, rí internamente: “Rá ! Vamos ver o preço !” (nota: vale lembrar que eu converso sempre com o gerente do supermercado, que vive ligando aqui em casa graças à minhas críticas constantes na caixinhas de sugestões) Ví, e surpresa enxi o carrinho com três.

As sacolas são ótimas, de material ecológico e custam dois reais. Foram usadas três delas em uma compra grande, onde só o pão de forma ficou na nostálgica sacolinha de plástico para não amassar. E para quem não gosta de ser ecologicamente correto, pense no tempo que leva para descarregar o carro com dezenas de saquinhos plásticos versus três sacolas grandes.

Quem gostou da idéia, dizem as boas línguas que o Carrefour também têm e que estas só serão vendidas durante esse ano.



Do outro lado Capote lhe manda "alô", rindo para não chorar.
Abril 18, 2008, 1:25 pm
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Ao mesmo tempo em que temos estampado nos jornais um exemplo hediondo de pais, o qual deixa crianças confusas e desconfiadas até mesmo de quem as gerou, temos também a família de Alexandre Nardoni.

O pai de Alexandre, Antônio Nardoni, advogado, recebeu a notícia da queda de Isabella antes mesmo do resgate e trata o caso como trataría um caso qualquer, levado a seu escritório. Dá entrevistas e afirma que o filho e a madrasta não mataram a menina.

A irmã, suspeita de cúmplice também conversa com a mídia e vira-e-mexe está em algum programa shownalista e também afirma que o irmão não cometeu crime algum.

Não há declarações da mãe.

O que acho até certo ponto ironico é como uma família consegue ser e não ser tão unida ao mesmo tempo. Não se sabe quem matou Isabella, mas todas as evidências correm para que os assassinos tenham sido Anna Carolina Jatobá, madrasta, e o pai. Caso os dois realmente tenham feito tudo o que é dito pela mídia, a única coisa que vai me chocar é o fato de que o avô permaneceu sabendo do crime sem fazer nada a respeito.

Mais do que um pai, que supostamente vê a mulher enforcando a filha e nada faz, me choca o fato de um avô permanecer imune diante disso. Como um avô lida com a morte da neta tão friamente ? Como um avô luta a morte da neta tentando livrar a cara do filho ? Dizem que amor de pai e mãe é amor maior do mundo. Nego. Amor de vô e vó é duas vezes maior.

Por vezes, me coloco no lugar de Alexandre e imagino se fosse eu. Meu pai não abriria as portas de casa caso tivesse jogado meu filho do sexto andar. E isso não o faz menos pai, mas sim mais avô. Me pergunto o que leva alguém a encobrir o filho quando este supostamente causou a morte da neta.

Nem Capote saberia o que dizer.